31 de maio de 2010

"TERRA DE LINCES". Exposição de fotografia no Jardim Botânico Tropical, Belém, Portugal.(22 Maio a 22Julho).

TERRA DE LINCES

Os animais não posam nem marcam entrevistas. São muitas vezes apenas entrevistos, no meandro de um rio, numa clareira, na orla de um bosque, ou então são observados de muito longe, sem que o pressintam. Por isso, para além da técnica, o fotógrafo tem manhas e paciência de caçador e sabe muito sobre as espécies que captura com a câmara. São horas, dias, anos procurando o momento onde a imagem é captada.

Na exposição "Terra de Linces" Andoni Canela mostra-nos, de modo íntimo, o Lince-ibérico e o seu habitat. A terra de linces é a nossa terra. o local que temos de partilhar com eles. A arte do fotógrafo leva-nos a reflectir sobre o que é necessário fazer para conseguir essa partilha.

Esta exposição foi organizada para que possamos entender melhor o grande desafio de dar ao lince-ibérico um futuro no bravio em vastas regiões da Península Ibérica, que cada vez mais se reconhecem e desejam ser "Terra de Linces".

20 de maio de 2010

COZUMEL - Um mundo especial e diferente abaixo d´água.











Cozumel é uma ilha do Mar das Antilhas, pertencente à província de Quintana Roo (México).

Fica situada perto da costa oriental da península de Iucatã. Está coberta por um espesso bosque e possui abundante pesca. Sua principal atividade é o turismo, apresentando uma indústria hoteleira desenvolvida. Possui um aeroporto. Localizada no Caribe mexicano, Cozumel é uma ilha plana composto de rocha vulcânica porosa. A elevação natural mais importante da ilha é inferior a 100 m. O cenotes formado pela infiltração de água através da rocha pedra há milhares de anos podem ser exploradas através de actividades como a natação ou mergulho, pode apreciar diversas espécies marinhas. A ilha é de cerca de 48 km de norte a sul e 16 km de leste a oeste, tornando-se a terceira maior ilha do México após o Isla Tiburón, no estado de Sonora e Isla Angel de la Guarda na Baja California. Localizado a 20 km a leste da Península de Yucatán, e 60 km ao sul de Cancún, tem uma área de 647,33 km² e 1208 km² em comparação com o a Isla Tiburón e 895 km² da Isla Angel de la Guarda. História Descoberta por Juan de Grijalva em 1518, serviu a Hernán Cortez de ponto de escala antes de iniciar a conquista do México. Atualmente é muito procurada por mergulhadores, devido as suas águas claras e quentes e a grande concentração de vida marinha, possuindo uma das maiores formações de coral do mundo (ao sul da ilha, em direção a Belize, fica a segunda maior barreira de corais do mundo, depois da australiana). História Antiga Pesquisas recentes indicam que os primeiros habitantes da ilha de Cozumel, chegaram por volta do século II a.c. Embora não totalmente identificados, acredita-se que estes indivíduos faziam parte de grupos semi-nômades do Caribe, dedicavam-se igualmente à pesca e a caça. Uma segunda onda de migranção chegou mais organizada no século III d.c. Esta foi integrado com os grupos maya identificados como provenientes da região de Petén, na Guatemala, ao sul de Península de Yucatán, definitivamente um nível cultural que os seus antecessores, eram sedentários, agrícolas e dominado conhecidas técnicas de arquitetura também pode encontrar vestígios da sua atividade em alguns edifícios e restos de cerâmica encontrados no centro norte da ilha, na área hoje conhecida como Santa Rita e parte de San Gervasio. A terceira onda de imigração na época clássica maia tardio, começaram a chegar no século VIII e veio do estado de Tabasco e do sul do estadao de Campeche. Os maias formados dos grupos chontal ramo Putun, eram marinheiros e comerciantes, que chegaram a caminho de América Central e Cozumel se tornou um ponto importante na sua área de influência. Nesta ilha o grupo introduziu às novas formas de organização social, outros estilos e novos cultos religiosos, entre eles enfatizaram a devoção à deusa Ix Chel, o deus da lua, da fertilidade e do nascimento, e que o ilha tinha o seu principal santuário, dando origem a um rito de peregrinação para o mundo maia de Cozumel. O melhor testemunho de organização cultural e social no elevado alcance deste grupo são inúmeros vestígios arqueológicos existentes em toda a superfície da ilha. Para 1.200 a.c, prevaleceu na América Central, comércio com terras longínquas, cujo elo principal foi Cozumel. Foi nesta ilha, onde todo o tipo de mercadoria chegaram de lugares distantes. Os itens foram armazenados antes de serem enviados em canoas para outros pontos de distribuição. Em 3 de maio de 1518 o capitão espanhol Juan de Grijalva foi o primeiro espanhol a descobrir a ilha que ele chamou de Santa Cruz de la Puerta America, foi naquela viagem, quando dias depois ele oficiou nas praias de Cozumel a primeira missa católica no México. Um ano depois, em fevereiro de 1519, Hernán Cortés iniciou o conquista do México no desembarque em Cozumel, onde se juntou forças com o náufrago Geronimo de Aguilar, que era uma dos primeiros artistas (Maya-castelhano) no serviço do conquistador, outro náufrago Gonzalo Guerrero se recusou a voltar: Depois de oito anos tinham se adaptado aos costumes maias e até mesmo se casou coma dama e teve três crianças, por isso ele é considerado o pai da mestiçagem no México. Até 1525 Francisco de Montejo fez um pedido ao rei da Espanha para autorizar a conquista e desenvolvimento da ilha de Cozumel (Montejo foi um dos capitães que chegaram com Cortez 9 anos anteriores).Francisco de Montejo chegou a Cozumel em 29 de setembro de 1527 e deu o nome cristão de San Miguel de Xamancab. Quando os espanhóis estavam familiarizados com a costa do Golfo do México, eles perceberam que tinham de parar na ilha, excluindo-o como um porto de escala para os navios espanhóis. Ao mesmo tempo, o efeito imediato da conquista, o comércio Maia foi anulado e aboliu a adoração da deusa Ix Chel. Os locais, deixaram de contar com a principal atividade econômica, foram forçados a depender exclusivamente da agricultura para sua sobrevivência. Durante os tempos coloniais a ilha era praticamente desabitada, porque vários fatores vieram juntos que a retenção limitada eo crescimento do grupo indígena: o flagelo causado por doenças trazidas pelos espanhóis, a exploração que sofreram, o colapso da sua economia, sua organização social e até mesmo o colapso de sua religião e costumes. Antes de sair, a ilha foi muitas vezes um refúgio para os piratas que tinham o Caribe como um refúgio. Eles não tinham uma base permanente na ilha, mas ocasionalmente se fixavam por água, comida fresca e reparar os seus navios. Esses ladrões do mar, em 1571, depois de uma batalha entre as forças espanholas e corsários franceses foram capturados na ilha principal do chefe Pierre Sanfroy e nove de seus colegas que, movido a Mérida e depois foram julgados, condenados e executados pelo Tribunal de Justiça da Santa Inquisição. Vários piratas Cozumel usado como uma base de operações no século XVII, incluindo o famoso Henry Morgan e Jean Lafitte, os piratas de Inglaterra e Holanda iam à terra para capturar indígenas e espanhois como escravos. [Image] [Image] Vista do sul de San Miguel de Cozumel. Em meados do século XIX, após a rebelião indígena na península, conhecida como Guerra de Castas em 1847, começa um processo de reassentamento, com a chegada de famílias de quase todos os Valladolid, Saban Tihosuco e Chemax do estado de Yucatán e fundaram as cidades de El Cedral, ao sul da ilha e Cozumel, na costa noroeste. O desenvolvimento agrícola e comercial, baseado no aproveitamento da fruta, cânhamo, goma e copra foi capaz de consolidar estas aldeias, que até o final desse século, cada um tinha com os costumes, a escola e a guarnição (apenas o segundo governo municipal).

História Moderna

No século XX, e sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento de estradas e infra-estrutura de serviços abriu a possibilidade de desenvolvimento do turismo, atividade até à data é a base da econômia local. Atraídos pelas águas cristalinas, os amantes de mergulho chegou à ilha e voltou para casa com as histórias de magníficas vistas subaquáticas. Jacques Cousteau foi lançado em 1960 a riqueza do coral que circunda a ilha, o que fez os entusiastas submarino teve conhecimento da existência de Cozumel. O mergulho e as docas de Cozumel tornou-se conhecido internacionalmente e colocou-o entre o topo a nível mundial em termos de chegada de cruzeiro é o primeiro destino turístico do artesanato, como no México.

Fotografias Tito Calado

30 de abril de 2010

Cromeleque dos Almendres, Évora, Portugal.

A ENCOSTA DAS PEDRAS CIRCULARES

É certo que temos um largo passado e em alguma medida, uma memória colectiva de uma vivência remota como caçadores-recolectores. No entanto, esta mesma vivência foi drasticamente alterada a partir da altura em que a técnica e o domínio dos métodos agrícolas se foi disseminando e com ela a adopção de um modo de vida sedentário. Nenhum destes momentos teve existência linear, nem este se sucederam encadeados ou tiveram aparecimentos repentinos. Todos eles foram resultantes de evoluções várias no historial humano. Os grupos sociais humanos sempre tiveram diferentes cadências e reacções diversas. É assim perfeitamente natural que num momento de existência de tribos já com sistema agrário e de outras que viviam uma existência ainda semi-nómada. Ora, o trabalho e cultivo da terra implica em tudo a sua posse ou domínio. Pois, não é de todo credível que se invista incontáveis horas e um esforço comunal, se não for para dele retirar dividendos.
Surge assim a necessidade de reclamar e impor a posse da terra e com ela o domínio e modificação da própria paisagem. A conjugação desta quase necessidade, conjugada com novas ideias vindas do Próximo-Oriente e da própria Europa, assim como algumas características locais, ao culta se junta um carácter cultual/religioso, irá dar origem a um fenómeno que teve expressão a nível mundial e em épocas distintas entre si, pois a um dado momento da evolução
humana, a resposta dada a necessidades simbólicas, foi o aparecimento do Megalitismo.
Em Portugal, o Megalitismo insere-se numa vasta família de influências tanto Atlânticas como Mediterrânicas, sendo possível encontrar paralelos na Bretanha, Irlanda, Creta ou Sardanha. É claro que também existem variações locais, dando maior expressividade a essa forma de marcar o horizonte.
O Megalitismo que aparece no actual território português manifesta-se de forma diversa e variada. Seja na forma de menires isolados na paisagem alinhados ou concentrados em círculos –
os cromeleques. As tão vulgarmente designadas antas, também se inscrevem nesta mesma matriz cultural. O caso que iremos referir é o do Cromeleque dos Almendres.
Este importante conjunto megalítico situado nas proximidades de Évora, é dos mais importantes e bem preservados da Península Ibérica. Constituído hoje em dia por 95 menires, terá no seu auge tido mais de 100. Com uma cronologia que aponta para a sua criação por volta de finais do IV milénio a.C., terá sido o resultado de uma conjugação de esforços para que a sua edificação
fosse realidade. Quem terá sido a população que o edificou? Isso será sempre uma pergunta que irá ficar para todo o sempre muda. Assim como o fim a que se destinava.
Culto da fecundidade, marca territorial, sinal de orientação na paisagem, local de culto, Áxis Mundi ou observatório astronómico, as hipóteses ficam em aberto, sendo plausível quaisquer das interpretações. O certo é que a sua implantação na sobranceira encosta suave do vale onde se encontra, confere-lhe uma localização privilegiada e domínio da paisagem em redor. Quanto a nós, a hipótese mais acarinhada, será a de local de culto, visto que muitos dos menires apresentarem decoração simbólica, hoje já não tão facilmente distinguível por acção dos elementos. Uma coisa é inegável e quem o criou deverá ter tido consciência disso, quando nos
encontramos no local, lá, é impossível deixar de pensar no esforço que terá sido necessário para realizar tal empresa e a grande carga simbólica que tem.

Texto Carlos Didelet

O recinto megalítico dos Almendres, um dos maiores monumentos públicos da humanidade, constitui o maior conjunto de menires estruturados da Península Ibérica e é um dos mais importantes da Europa. Este monumento megalítico inicialmente era constituído por mais de uma centena de monólitos. A sua escavação permitiu a detecção de várias fases construtivas ao longo do período Neolítico (V e IV milénios a. C.), até alcançar aspecto semelhante ao hoje apresentado. 92 menires com diferentes formas e dimensões, desde pequenos blocos rudemente afeiçoados, outros maiores que deram ao local o nome de Alto das Pedras Talhas. Formaram dois recintos erguidos em épocas distintas, geminados e orientados segundo as direcções equinociais. Uma dezena de monólitos está decorada exibindo relevos ou gravuras. Foi um monumento com funções religiosas e, provavelmente um primitivo observatório astronómico.